Arquivo | maio, 2012

Cultura e memória: a identidade histórica do Castainho

25 maio

O Castainho é uma comunidade remanescente de quilombo localizada na zona rural no sudeste do município de Garanhuns. É formalmente reconhecida, mas ainda luta pelo reconhecimento por direito as suas terras e moradia. Nessa comunidade estimasse morar cerca de duzentas famílias. Sendo que em algumas casas residem mais de uma família, geralmente os filhos já casados que continuam a morar com os pais. O Castainho conta com um conselho que delibera questões políticas e econômicas da mesma e das demais comunidades quilombolas circunvizinhas. Diante do conselho a comunidade tem um representante, conhecido como José Carlos. O sustento da comunidade é mais voltado ao trabalho agricultor. São mais cultivados o feijão, o milho e em maior proporção a macaxeira e a mandioca – utilizada para fazer farinha em uma casa de processamento instalada na localidade. Além da presença de diversas árvores frutíferas no local, tais como mangueiras e cajueiros. Parte da produção na agricultura é destinada ao comércio em feiras e mercados. No Castainho em termos de religião predomina o cristianismo havendo poucos que ainda mantém as práticas religiosas de origem africana, caracterizadas no Brasil como religiões afro-brasileiras. A comunidade tem como uma das expressões culturais, mais marcantes historicamente, o Samba de Coco. E realiza anualmente no mês de Maio a Festa da Mãe Preta.

Realizando-se pesquisas na internet se encontra poucas informações sobre a comunidade (Castainho). E em decorrência dessa pouca difusão muitos desconhecem a comunidade e se a conhecem, dela sabem muito pouco, fazem apenas referência à Festa da Mãe Preta ou apenas como “o povo descendente dos escravos”. No pouco que se consegue de informação fora da comunidade se forma em concepção exterior onde fica apenas evidente o que pensam ser o sujeito negro, pertencente a uma comunidade remanescente de quilombo, que vive na zona rural, que luta por seus direitos, que é lembrado no Dia da Consciência Negra, que são mencionados nos livros escolares como o povo traficado em navios que vinham da África.

Diante desse quadro se percebe o não conhecimento do sujeito como ele se demonstra e se vê. Que esse faz parte de uma história e faz história. Que essa história se faz memória e está intrinsicamente ligada à formação da sua identidade. E que a identidade do indivíduo não é apenas o que o torna diferente dos demais mas o que também o assemelha a esses demais e que também não se trata de como os demais veem o sujeito mas como o sujeito vê a si próprio.

Com esse projeto pretende-se então dar a oportunidade para que o sujeito integrante do Castainho possa falar sobre si e sobre sua comunidade, sua memória, história e identidade. E de certa forma ao relembrar sua origem e olhar para si, como o presente e verdadeiro representante de seus ancestrais, possa se perceber como sujeito histórico-cultural.

Esse projeto pretende tratar do conhecimento histórico que se encontra na memória e identidade cultural do integrante do Castainho. Ele parte das questões: como o sujeito integrante do Castainho se vê, ou seja, como ele se identifica em relação no que é diferente aos demais; e, como o sujeito se vê sendo integrante da comunidade, ou seja, como esse se apercebe no que o torna semelhante aos demais.

Esse projeto é realizado com visitas periódico-semanais feitas à comunidade Castainho. Nessas visitas, faz-se entrevistas semiestruturadas, informais – as quais são registradas por uma câmera filmadora – em que são entrevistado um ou mais moradores da comunidade. Essas entrevistas se guião através dos objetivos do projeto a responder as questões também aqui apresentadas à luz dos teóricos e conteúdos bibliográficos recorrentemente levantados. Após o primeiro momento de registro das falas dos moradores do Castainho, os vídeos serão editados e organizados na produção de um documentário final, que retornará à comunidade para que todos possam usufruir da construção desse trabalho conjunto.

Abaixo, algumas imagens (autorizadas) de alguns participantes do projeto:

Pet-conexista Responsável: Senivaldo Felix da Silva Junior.

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